VÍDEO: Terreiro de Candomblé é alvo de vandalismo pela segunda vez em menos de 15 dias na Bahia
03/02/2026
(Foto: Reprodução) Terreiro de Candomblé é alvo de vandalismo pela segunda vez em menos de quinze dias na BA
Um terreiro de candomblé localizado em Alagoinhas, no interior da Bahia, foi alvo de vandalismo na segunda-feira (2). Segundo o babalorixá responsável pela casa, este é o segundo ataque registrado em menos de 15 dias.
O terreiro Ilê Yabotô Axé Omí Lejikan, localizado no bairro Santa Terezinha, teve peças sagradas depredadas e incendiadas. Além disso, objetos obscenos foram deixados no local. De acordo com o babalorixá Pai Lucas, o primeiro ataque foi registrado no dia 23 de janeiro.
Terreir de Candomblé em Alagoinhas foi alvo de vandalismo pela segunda vez em um mês
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Imagens divulgadas nas redes sociais mostram peças danificadas e itens espalhados pela casa. (veja vídeo acima)
Ainda segundo Pai Lucas, membros do terreiro estiveram no local no último sábado (30) para realizar atividades rotineiras, e constataram que não havia novos danos naquele momento. Ele informou ainda que a casa não possui câmeras de monitoramento, o que dificulta a identificação do suspeito.
Objetos obscenos foram encontrados em terreiro de Candomblé em Alagoinhas
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“Não podemos deixar passar atitudes como essas, que são a demonstração mais evidente da intolerância religiosa que, infelizmente, ainda persiste em nossa sociedade”, afirmou o babalorixá.
Diante da situação, foi registrada uma denúncia no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos informou que o Centro de Referência (CR) está acompanhando o caso. Na sexta-feira, o responsável pelo terreiro tem uma reunião com os dirigentes do CR e toda a rede, para expor o caso e alinhar as ações.
A Polícia Civil divulgou, também na terça-feira, que o autor dos ataques já foi identificado.
De acordo com a polícia, o suspeito é vizinho do local e demonstrou insatisfação com a venda do terreno onde o terreiro foi construído. O homem afirmou que a área pertencia à família dele e que não concordou com a negociação que resultou na instalação do espaço religioso.
A identificação do suspeito ocorreu após a circulação de boatos na região. A equipe policial foi até o local, localizou o homem e colheu o depoimento. Segundo a Polícia Civil, ele relatou o ocorrido com naturalidade e minimizou a gravidade dos atos.
O homem não foi conduzido à delegacia, já que não se tratava de uma situação de flagrante. O inquérito será encaminhado à Justiça, com representação para a instauração de um incidente de insanidade mental.
A Polícia Civil ressaltou ainda que, até o momento, está descartada a motivação por intolerância religiosa, mas o caso segue em apuração e pode envolver outros crimes, como dano ao patrimônio.
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